Os museus inovam com novas tecnologias para cativar visitantes exemplo bem real é o Museu das Comunicações.
O Herrmann – com um buraco no centro, e dois longos tubos a sair dos lados – é um dos objectos mais estranhos em exposição no Museu das Comunicações, em Lisboa.
Desde Maio, porém, basta apontar a câmara do smartphone a este objecto peculiar para resolver o mistério: imagens aparecem em frente ao Herrmann no pequeno ecrã e vê-se um homem a gritar para a caixa com os tubos nos ouvidos. Está e falar com alguém que está longe. Afinal, a caixa é um dos primeiros modelos de telefones fixos, inventado pelo português Maximiliano Herrmann em 1880.
A viagem no tempo através do telemóvel faz-se graças a uma nova aplicação de realidade aumentada, uma tecnologia em que imagens digitais se sobrepõem a imagens do mundo físico (e que tem sido usada em muitos museus). É a mais recente táctica do museu para “dar vida” ao passado: basta apontar o tablet ou smartphone a algumas peças para os visitantes desbloquearem informação extra.
“Queríamos passar do museu do ‘ah’ para o museu do ‘ahhh’”,
A experiência começou o mês passado com o lançamento de uma aplicação grátis para Android e iOS que permite aceder a 20 experiências de realidade aumentada ao longo da exposição permanente Vencer a Distância: Cinco séculos de comunicações em Portugal.
Uma das vantagens parece ser colocar “peças de arqueologia industrial” – como descreve Salema – a funcionar novamente. É o caso da primeira máquina de separação automática do correio em Portugal, que chegou do Japão em 1975. Há anos que o aparelho – com cerca de três metros de largura, muitas rodas e engrenagens – está imóvel, mas agora os visitantes podem vê-la a trabalhar, ainda que no ecrã telemóvel.
“Antes, era impossível. Esta máquina já não tem manutenção possível, mas o vídeo faz uma ponte com o passado” explica Salema. “É uma das únicas formas de chegar aos mais novos. Permite-nos trazer elementos de fora que não é possível mostrar no museu.” No futuro, o plano passa também por levar as experiências de realidade aumentada para fora, aos monumentos que fazem parte das visitas ao bairro organizadas pelo museu.
Mais informações em: http://www.fpc.pt/pt/ Visite.